30.6.08

Desconhecido

Ouvindo o MPB de sempre ela pensava que ele provavelmente não gostava dessas músicas. Que ele deve detestar Cazuza em dias apaixonados, mas deve ser simpatizante de Cazuza em dias de autenticidade.

Ela já estava cansada de se questionar porque eles não eram íntimos. E está a um passo de desistir de tentar entender porque é que seus caminhos e olhares se cruzam o tempo todo, mas nunca passou disso.

Ela ria ao lembrar porque tinha se interessado por ele. Era só saudade de um conhecido que se assemelha ao desconhecido. Ela ria mais ao perceber que o conhecido e o desconhecido nada têm de igual, nem mesmo a estatura, nem o cabelo, nem o jeito de andar, nem de se vestir.

 
Ela queria saber mais sobre ele. Queria contar quantos cachinhos ele tem no cabelo, qual sua música favorita, sua cor predileta, sua estampa xadrez preferida, qual é seu tênis mais confortável, qual livro mais gostou de ler, o que estuda na universidade, quantos anos tem, seu nome e como gosta de ser chamado.

Ela nada sabia sobre ele, e tudo queria saber. Por mais que já tivesse buscado em todos os meios que a tecnologia nos oferece, ela não encontrava. Pesquisou página por página, mas foram todas tentativas falhas. Observou cada passo enquanto sua vista o - alcançava, analisou cada expressão, e foi o suficiente para se apaixonar pelo seu jeito de andar, pelo seu sorriso.

Apesar de discordar de algumas atitudes dele, que ela já tinha observado, o que a confortava era saber que ninguém é perfeito, e que são as imperfeições que encantam, como dizem há tempos: os opostos se atraem. Suas atitudes são um desafio para encaixá-lo no seu estereotipo de perfeição, e que se não houvesse esse defeito, não teria graça, seria do tipo tão perfeito, que cansa.

E o que se entende por “do tipo perfeito”? Rebelde, que anda como se fosse o rei da malandragem, amigo íntimo da simpatia, e irmão da timidez enrustida. Que aumenta nela o desejo fulminante de conhecê-lo, que faz com que ela implore a quem possa oferecer um pouco de malandragem para conseguir olhar no fundo dos seus olhos e dizer com o sorriso mais singelo e tímido, um simples: Oi!

criado por le_dj    22:49 — Arquivado em: Sem categoria

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