E de repente você se vê de calça jeans e all star, com guarda-chuva na mão esperando ansiosamente pela chegada mais esperada de todos os últimos tempos.
Enquanto aguarda, um tanto quanto inquieta, lembra-se de cada sorriso que deram juntos. De tantas brincadeiras de criança, de todas as vezes que vc berrou seu nome quando se encontravam, de todos os dias que você ouvia um elogiu indelicado como "você tem fogo no cu", de cada abraço… E quanto mais você recorda mais vontade tem de reencontrar, de poder abraçar de novo.
Nas mãos você segura uma fotografia de vocês dois juntos. Aqueeela foto do dia que vocês pensaram que teriam um treco de tanto rir, ou no mínimo fariam "xixi nas calças". A foto mais engraçada que alguém pode ter! Os dois descabelados, um com a mão no nariz do outro, vermelhos de tanto rir, vestindo uma roupa esquisita, sorrindo dos olhos ficarem miúdinhos.
Daí então você se pega com os olhos cheios de lágrima e pensando no tanto que as saudades doem, de que não existe dor pior no mundo. E tudo o que você deseja naquele minuto e ter nos braços o abraço que sente mais falta. Então você chora. A chuva aperta, você não procura um lugar para se proteger da chuva. Você se mantém intacta. A chuva? A chuva molha,… mas não apaga e nem diminui o tanto que as saudades lhe doem.
Vinte minutos se passaram e a chuva não deu tréguas a você. O jeans está todo molhado, a fotografia você protege junto ao peito todo o tempo, para que a recordação mais querida não seja perdida. O cabelo está seco. Mas chove tanto que você parece que está "úmida". É então que resolve levantar a cabeça, mostra a quem quer ver a cara das saudades. E inevitavelmente começa a sorrir. Inconsequentemente, sem prestar atenção atravessa a rua movimentada correndo -que por sorte, ou não, apresenta um congestionamento histórico. Corre tanto que não se dá conta se já correu muito ou se não conseguiu correr tanto devido ao peso da calça molhada.
Ele ri ao te ver naquela situação. Ri tanto que não sabe se ri ou chora. Você, por ver aqueles olhos castanhos sorrindo, sorri também! E em meio tanto riso, no meio da chuva, no meio do trânsito os braços se encontram provocando o mais lindos dos reencontros, o mais emocionante dos abraços e a mais gostosa de todas as gargalhadas. Inevitavelmente você berra o seu nome, como de costume, ele continua a rir, pois nunca conseguiu ter outra atitude quando ela fazia isso, a não ser abraça-la enquanto sorria. Em seguida do berro ela diz:
- EU TAVA MORRENDO DE SAUDADES! COMO VC TÁ LINDO!
Ele, com toda palhaçada que o cabe diz pra ela "você é doida", sorri e diz:
- EU TAMBÉM TAVA MORRENDO DE SAUDADES! E VOCÊ TÁ TODA MOLHADA!
Tantas risadas foram recuperadas em instantes do primeiro reencontro. E para ela era como se aqueles segundos de um abraço durassem toda a eternidade.
Nunca deixe de sonhar, pensava ela ao voltar para a casa sozinha e molhada. É bom demais planejar os próximos abraços e sorrisos! É encantador esperar por ouvir sempre os mesmo elogios indelicados.
De você querido amigo, sinto muitas saudades!